ILUSÕES QUE REFLETEM NO ESPELHO

 Por:  Letycia Oliveira, Marcela Kochem, Shakira, Gustavo Hiro, Carliane Reis.

 

Os transtornos alimentares, como a anorexia, chegam a afetar até 10% dos jovens no Brasil, se disfarçando na hereditariedade e nas culturas sociais. Controlar medidas, comprar a idealização de um corpo perfeito, seguir dietas ou práticas rigorosas de como perder peso, pode se tornar um conflito interior que causa a distorção da imagem corporal, onde comer se torna um dos piores crimes que alguém pode cometer. “Tinha medo de ouvir que havia engordado e nunca estava feliz com o meu corpo. Eu não entendia nada do que estava acontecendo, era uma dor”, dizia a modelo Fernanda Fahel para a  matéria publicada pelo site UOL, Viva Bem. A anorexia, dentro de todos os transtornos psiquiátricos, é a doença com a maior taxa de mortalidade, seja por inanição (na linguagem popular, é o “Morrer de fome”, no qual a falência de forma lenta dos órgãos devido a escassez de recursos vitais no corpo para lidar com a fome, leva de 8 a 12 semanas para que o indivíduo venha a óbito) ou por recorrência ao suicídio.

No Brasil, há registro de cerca de 150 mil casos por ano. Uma pessoa com anorexia não percebe quando está se tornando algo preocupante, acreditando que se pesar com frequência ou controlar de forma exagerada a alimentação, não passa apenas de autocuidado. Com o passar do tempo, as roupas escolhidas vão ficando mais largas por conta da magreza, as cenas de "fingir que está comendo para que seu comportamento não seja condenado ou notado" se fazem cada vez mais presentes, a cobrança e o não se achar suficiente, os olhares julgadores e todos começam a aparecer. Todos juntos podem levar ao inicio do infame processo de anorexia. 


De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 10% dos brasileiros, em especial os adolescentes e jovens do sexo feminino, sofrem  de distúrbios alimentares. A doença é silenciosa e no começo os sintomas são quase imperceptíveis. Com a progressão da restrição alimentar à alimentos que demandam maior ganho de peso, o emagrecimento se torna mais acentuado e é notável tal mudança. A explicação para a busca por um padrão estético idealizado é explicada por diversos fatores, dentre eles, aspectos estéticos, culturais, históricos, socioeconômicos e midiáticos. Ao longo da história conceito de beleza sofreu diversas variações e está se tornando cada vez mais rígido e inalcançável, em meio a isso as mulheres são as grandes afetadas. Um bom exemplo dessa crescente insatisfação corporal e da busca pelo corpo perfeito está no aumento das estatísticas do número de cirurgias plásticas realizadas em mulheres e no aumento de pesquisas  em sites de como manter o peso corporal, cronogramas de dietas extremas, técnicas de como comer sem engordar nada, truques de como se livrar do que foi ingerido e dentre outros inúmeros exemplos.

Em uma pesquisa realizada com os alunos da faixa etária de 15 a 9 anos do 2º ano do curso Técnico em Biotecnologia do IFRO de Guajará-mirim, uma das perguntas constatou que 38,5% dos entrevistados sentem culpa ao comer e 43,6% tem aflição em relação ao ganho de peso. Um exemplo de quando esse tipo de porcentagem ultrapassou o quadro de "preocupação com a saúde" para o de "distúrbio alimentar" é uma das reportagens do site G1.com vivenciando a história de uma mulher com anorexia, "Com apenas 24 quilos distribuídos em 1,56, uma moradora de Bauru (SP) sofre de anorexia nervosa - caracterizada pela perda excessiva de peso - e pede ajuda para conseguir tratamento em uma clínica especializada". Segundo a reportagem, a mulher também declarou que desde criança sofria bullying e era chamada de "gordinha", era depressiva e começou a desenvolver o distúrbio logo após os fatos ocorridos.

Tais casos de dão, majoritariamente, por conta de algum fator de hereditariedade e dos padrões que a sociedade vai impondo, lentamente enraizando nas pessoas seus "padrões de beleza" através das mídias sociais e do entretenimento, até o ponto que não se deem mais conta de que ao julgar alguém por não ter uma "aparência ideal" estão empurrando essa pessoa mais perto de um abismo perigoso. Com isso, certos sinais presentes no comportamento podem começar a aparecer, podendo evoluir de um "não gostei do que vejo no espelho" para uma distorção completa da sua imagem. 

Existem muitas dificuldades para pessoas com anorexia, uma delas é a capacidade de admitir que há algo de errado com seu comportamento e culpa ao comer, já que para uma pessoas com o quadro de anorexia o que ela está fazendo é completamente certo, não entendendo o que existe de errado em seu comportamento. Quando nos recusamos a acreditar que um problema existe, não quer dizer que a partir daquele momento ele não está mais lá, ao ignorarmos só damos chance para que ele aumente até um nível preocupante e algumas vezes irreversível. As consequências da anorexia vão desde o psicológico até o físico e podem ser muito severas, o corpo de alguém anoréxico vai ficar desnutrido e frágil, gerando alterações hormonais, redução de imunidade, queda de cabelo, falhas na memória, desmaios, entre outros problemas. 

Por fim, quando não tratada, as chances da enfermidade levar à morte, tanto por falência física, quanto por suicídio, aumentam drasticamente. Portanto, assim que essa doença for percebida é importante que a pessoa passe por um tratamento terapêutico e nutricional, já que segundo dados apresentados em uma reportagem do site rádios.ebc.com.br "a anorexia tem uma taxa de mortalidade de cerca de 20%, ou seja, sem os cuidados e tratamentos adequados, esse pequeno dígito que represente milhões pode aumentar ainda mais. 



 Uma leitura interessante sobre o tema dos transtornos alimentares se encontra no livro “Eu não moro mais em mim”, escrito em primeira pessoa pela jornalista brasileira Gabrielle Soares Barbosa. O livro contém relatos de algumas pessoas que escolheram compartilhar suas histórias de luta contra transtornos alimentares, incluindo o de Dalva Gouvêa Carvalho, amiga da autora e uma grande inspiração para o livro, que em uma reportagem postada no site G1.globo, vai ressaltar: "A Gaby acompanhou cada etapa desses distúrbios. Quando ela me falou sobre o projeto do livro e que queria colocar minha história nele, fiquei muito feliz e aceitei participar sem pensar duas vezes. Me ver pelo olhar dela, pelo que ela presenciou ao longo de todos esses anos, é algo maravilhoso. Além do olhar jornalístico, há aquele olhar de quem viu uma pessoa querida passando por esses momentos".

 

REFERÊNCIAS:

G1. Estudo com dados de quase 17 mil pessoas encontra 8 mutações genéticas associadas à anorexia. Ciencia & saúde, 2019. Disponível em: <https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2019/07/16/estudo-com-dados-de-quase-17-mil-pessoas-encontra-8-mutacoes-geneticas-associadas-a-anorexia.ghtml>. 

G1. Mulher de 34 anos sofre de anorexia nervosa e pesa 24 kg em Bauru. G1 Bauru, 2013Disponível em: <http://g1.globo.com/sp/bauru-marilia/noticia/2013/10/mulher-de-34-anos-sofre-de-anorexia-nervosa-e-pesa-24-kg-em-bauru.html> 

Histórias de pessoas que lutam contra transtornos alimentares são tema de livros em MG. Disponível em:<https://g1.globo.com/mg/sul-de-minas/noticia/2018/12/22/historias-de-pessoas-que-lutam-contra-transtornos-alimentares-sao-tema-de-livro-em-mg.ghtml>.

https://imagens.brasil.elpais.com/resizer/cxtr2MGx047yh8c-SppcWK7DGN8=/414x0/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com/public/YOVH7TNO7TVIF3JGA22JYPOKKI.jpg 

 https://saude.abril.com.br/wp-content/uploads/2020/02/transtorno-alimentar.png

 

 




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